O Caderno de Carolina — a história de Carolina Maria de Jesus

Uma mulher com um lenço na cabeça caminha por uma estrada de terra ao amanhecer, abraçando um caderno.

um livro de rolar a página

O Caderno de Carolina

A história de Carolina Maria de Jesus, que catava papel de dia, escrevia de noite e virou uma das maiores escritoras do Brasil.

Barracos de madeira na beira de um rio, com roupas no varal e crianças brincando na terra.

Toque nos pontinhos do desenho

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Eu morava num barraco de madeira, na favela do Canindé, na beira do rio.

Era pequeno, era apertado — mas era o meu lugar no mundo.

São Paulo, anos 1950.

Uma mulher puxa um saco cheio de papel pela rua ao anoitecer, com duas crianças ao lado.

Toque nos pontinhos do desenho

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De manhã eu saía com meus filhos para catar papel pela cidade.

Cada folha que eu achava valia um pouquinho de comida.

Duas mãos tiram um caderno amassado de páginas em branco de um monte de papel jogado fora.

Toque nos pontinhos do desenho

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Um dia, no meio do lixo, achei um caderno com as páginas em branco.

Para mim, foi como achar ouro.

Dentro de um barraco, uma mãe e três crianças dividem a comida de uma panela pequena à luz de uma lamparina.

Toque nos pontinhos do desenho

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Tinha dia que a panela ficava quase vazia.

Eu dividia o que dava e prometia: amanhã vai ser melhor.

À noite, uma mulher escreve num caderno à luz de uma lamparina enquanto seus três filhos dormem.

Toque nos pontinhos do desenho

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Quando todo mundo dormia, eu acendia a lamparina e escrevia.

No caderno, a fome não mandava em mim.

Um jornalista sentado num caixote lê cadernos escritos à mão, admirado, ao lado da autora.

Toque nos pontinhos do desenho

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Um jornalista passou pela favela e leu os meus cadernos.

Ele levantou os olhos e disse: isto aqui é um livro.

O jornalista Audálio Dantas, em 1958.

A autora sentada a uma mesa, sorrindo e assinando livros para uma fila de pessoas felizes.

Toque nos pontinhos do desenho

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Meus cadernos viraram um livro de verdade.

Muita gente veio me ouvir — eu, que catava papel.

“Quarto de Despejo” foi publicado em 1960.

Livros abertos voando como pássaros por um céu quente, sobre telhados e o mar, com crianças olhando para cima.

Toque nos pontinhos do desenho

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Minhas palavras foram longe: outras línguas, outros países.

Quem escreve não desaparece.

Quem foi Carolina

Carolina Maria de Jesus nasceu em Sacramento, em Minas Gerais, em 1914. Estudou só dois anos e aprendeu o resto lendo tudo o que encontrava.

Em São Paulo, criou seus três filhos na favela do Canindé e sustentava a casa catando papel. Nos cadernos que achava no lixo, escrevia o que via todos os dias.

Em 1960, esses cadernos viraram o livro Quarto de Despejo, traduzido para mais de dez idiomas. Ela morreu em 1977, e continua sendo lida no mundo inteiro.

As frases deste livro não são citações: foram escritas com as nossas palavras, inspiradas no que Carolina contou. Para ler as palavras dela mesma, procure “Quarto de Despejo” na biblioteca.

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